18 de agosto de 2010

Madeira - a cordilheira central depois do fogo

Voltei esta manhã ao Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha, quatro dias depois do fogo ter queimado em instantes quase toda a sua vegetação e cinco anos de trabalho de muitos voluntários que acreditaram no retorno da biodiversidade àquele pequeno planalto localizado no rebordo oriental do maciço encimado pelo Pico do Areeiro.

Depois da forte dor da perda sentida no Sábado, quando os troncos ainda fumegavam, hoje encontrei um ambiente silencioso, esmagadoramente negro e com odor a morte. Em toda a cordilheira central, até quase perder de vista, tudo está negro com excepção da esfera branca do radar, que definitivamente é a marca dum pico desfigurado.

As fotografias, mais do que as minhas palavras, mostram como a malvadez de alguns seres desumanos ajudada pela inexistência duma cultura de prevenção podem, em poucas horas, provocar graves rupturas nos ecossistemas desta pequena ilha e aumentar significativamente o risco duma cidade rasgada por três ribeiras.

Seis meses após as cheias repentinas e mortíferas de 20 de Fevereiro, a Ilha da Madeira ficou ecologicamente muito mais pobre e com um futuro económico sombrio, não porque a Natureza tenha sido madrasta, mas, bem pelo contrário, porque foi cobardemente queimada.

Depois de tudo o que aconteceu nos dias 13 e 14, não se poderão continuar a cometer os mesmos erros e a eleger o clima como bode expiatório. É tempo de debater sem complexos "A Protecção Civil e a Gestão das Florestas".

Aos responsáveis políticos desta Região, e especialmente a quem arrogantemente cultivou o discurso do domínio da Natureza, deixo uma sábia mensagem de Francis Bacon (1561 - 1626): "SÓ SE PODE VENCER A NATUREZA, OBEDECENDO-LHE".

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Área ardida no Cabeço da Lenha e reacendimentos

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Achada Grande

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Pico do Radar (ex-Pico do Areeiro)

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Vale da Fajã da Nogueira - esta foi uma das vistas mais bonitas da Madeira

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Por entre os esqueletos das urzes há imensas garrafas

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Poço da Neve com o Funchal em segundo plano

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Ficou assim a plantação da Associação dos Amigos do Parque Ecológico

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Pico Cidrão, Pico Grande, Pico Jorge - tudo queimado

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Vale da Ribeira do Cidrão - tudo ardido até ao Curral das Freiras

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Pico do Radar (ex-Pico do Areeiro)

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Miradouro do Ninho da Manta e Pico do Gato

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O verde desapareceu entre o Areeiro e o Pico Ruivo

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Cabeceira da Ribeira de Santa Luzia

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Ribeira das Cales - escorregamentos de 20 de Fevereiro e área ardida a 13 de Agosto

Texto e fotos de Raimundo Quintal

3 Comentário(s):

Anonymous Anónimo escreveu...

O vosso trabalho, não é um sonho desfeito...

Agora, mais do que nunca, é uma vontade renovada e reforçada!

Que nunca vos falte a força e o ânimo para seguirem em frente, é o que desejo a todos os amigos do Parque.

Abraço solidário

Mª Irene

19 agosto, 2010 10:59  
Anonymous DavidB escreveu...

Uma pergunta ao Sr Raimundo Quintal , faria mal a floresta Madeirense fosse introduzidos Esquilos?

21 agosto, 2010 04:24  
Anonymous Anónimo escreveu...

It is unbelievable the government didn'use canaders throwing water, they may have saved quite a lot. Perhaps they cost money but how much less money Madeira will get from tourism?

31 agosto, 2010 16:36  

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