19 de julho de 2012

As cinzas da morte e as cores da vida

15-Quinta do Palheiro Ferreiro-19.07.12

A Quinta do Palheiro Ferreiro é uma das jóias do património da Madeira. Há cerca de trinta anos que estudo as cerca de 700 espécies de plantas que povoam a mais emblemática quinta madeirense, presença frequente nos melhores manuais de jardins da Europa.

Depois duma noite muito mal dormida subi pela manhã até um dos meus refúgios predilectos para com os meus olhos constatar o estado do jardim e do arboreto.

Como é possível confirmar pelas fotografias, no Ribeiro do Inferno, na área do Avista Navios e na zona da entrada principal a vegetação sofreu graves danos. No Main Garden, no Long Border e no Jardim da Senhora toda a flora está intacta. A casa da família Blandy e a Casa Velha do Palheiro não foram atingidas pelo lume. Um pouco mais sossegado regressei a casa, mas logo comecei a ouvir as notícias do pânico das populações das freguesia de Gaula e da Camacha. Neste momento, com esta temperatura elevada, vento forte e humidade relativa tão baixa, lembro-me duma frase do presidente Ronald Regan, quando na Califórnia o questionaram sobre a estratégia para combater um terrível fogo: “Rezem para que chova!”

Mas depois da extinção do fogo, há muito para fazer de forma a reduzir a frequência e a intensidade dos incêndios florestais no Verão, e das aluviões no Outono e Inverno.

Chega de discursos inflamados, de arrogância e de protagonismos bacocos. Os madeirenses terão de escolher entre as cinzas da morte e as cores da vida!

01-Quinta do Palheiro Ferreiro-19.07.12
02-Quinta do Palheiro Ferreiro-19.07.12
03-Quinta do Palheiro Ferreiro-19.07.12
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Texto e fotos de Raimundo Quintal


2 Comentário(s):

Blogger micael escreveu...

A Quinta do Palheiro é sem dúvida uma das jóias da Ilha da Madeira.

Foi com mágoa e preocupação que nos apercebemos, através da TV, que a Quinta do Palheiro foi envolvida pelas chamas dantescas.

Pelas fotos aqui colocadas vemos que o jardim foi poupado.

O caminho de acesso (para quem visita a Quinta do Palheiro) com cameleiras a ladea-lo foi atingido? Esperamos que as camélias tenham sido poupadas.
Eu e a minha mulher (vivemos no norte de Portugal) coleccionamos camélias e gostámos de ver as cameleiras que ladeiam esse caminho. É preocupante se se perderam, pois são necessários muitos anos para elas terem a dimensão que tinham.

Votos para que rapidamente recuperem as "cores da vida".

Micael e Conceição

25 julho, 2012 18:19  
Anonymous Francisco escreveu...

Poderíamos culpabilizar, e com razão, esta situação com dimensão catastrófica relativa aos incêndios com ocorrência na ilha da Madeira, aos governantes regionais e nacionais, por não terem disponibilizado os recursos necessários e a seu tempo para que fizessem face à dimensão e gravidade deste problema: que não querendo ser agoirento/negativista,parece-me que a ilha da Madeira poderá passar por um déja vu num inverno próximo. Também poderemos culpabilizar os responsáveis pela insuficiência na segurança civil, vigilância, enfim..são imensas as lacunas a apontar. Mas não nos devemos esquecer que também uma grande parte da culpa é do cidadão comum, proprietário de terrenos e também daquele cidadão que vive à beira de terrenos ditos baldios, simplesmente por ser comodista e por não ter uma entidade que obrigue o proprietário quanto ao seu dever de fazer a devida manutenção das suas propriedades, isto é, de o manter limpo e em condições! E é aqui que entra o grande responsável por todo este quadro! Nunca houve alguém/autoridade para fiscalizar a manutenção dos terrenos e propriedades baldias!E este problema resolvia-se com uma medida, que a princípio parece improvável de a colocar em prática e até diria promíscua. Mas não é! Vejamos, e poderei estar errado ou mal informado!tenho esse direito, uma vez que não domino a área. Se fosse implementada legislação que, dizendo por palavras simples, qualquer propriedade/terreno atingido por um incêndio, e que posteriormente se viesse a confirmar que se tratava de uma área abandonada/ sem manutenção adequada, esta seria proposta a área protegida com potencial para posterior reflorestação! Ora vejamos, medida esta que depois de vagamente analisada: 1)obrigaria ao proprietário e ao vizinho do proprietário a realizar a manutenção da sua propriedade caso quisesse mantê-la sob sua alçada 2) aumentaria a área protegida, que tanto faz falta à ilha da Madeira, quer em termos de turismo, quer qualidade de vida e ambiental ( ao nivel do ar e estimulante de precipitação p.ex entre outras..) 3) acabava-se de uma vez por todas com os interesses económicos, políticos e sobretudo imobiliários estimulantes do dito " fogo posto/terrorismo incendiário"! Ora posto isto, parece-me sugestão que não favorece ninguém, nem aparenta ter conflitos de interesses de grande relevo. E uma vez que admiro o vosso trabalho e como visitante frequente do arquipélago da Madeira, porque sou madeirense mas residente no Porto, fico triste com as imagens que vejo, com a sucessiva diminuição das áreas verdes na ilha e pelo desinteresse pela manutenção das nossas serras e bermas de estradas que lembro-me serem sempre floridas e bem tratadas! Fico com a sensação que a ilha é só a esplanada do Golden Gate, Café teatro e Clube Naval! Esta sugestão que aqui faço é a minha manifestação alusiva à mudança de mentalidades e de prioridades, porque penso que esta associação tem potencial para este tipo de discussão e despoletar a sensibilidade deste tema com as devidas autoridades, enquanto eu sou um simples cidadão. E como a flora/fauna da ilha não deve ser só apta a crescer nos picos mais altos da ilha, devemos tentar explorar e implementa-las noutras zonas, isto se possível e viável, aumentando a diversidade e qualidade ambiental e o consequente potencial da ilha!

25 julho, 2012 21:18  

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