17 de julho de 2010

Notícias do Pico do Radar
(17 de Julho de 2010)

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O monstro gerado em Espanha para vigiar os céus da Madeira está a ficar tão imponente que o Pico do Areeiro até já é conhecido por Pico do Radar.

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No próximo Outono (estação do ano e da democracia portuguesa) deverá haver inauguração com pompa e discursos adequados à circunstância dos grandes geoestrategas Alberto João Jardim e Augusto Santos Silva. Jaime Gama e Paulo Portas, pelo que se esforçaram para que o monstro nascesse, também merecem estar presentes na cerimónia da implantação do Sítio NATO 2010 sobre a Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000.

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Arméria-da-Madeira (Armeria maderensis)

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Incomparavelmente com menos dinheiro, mas com muita persistência e consciência ambiental, a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal continua a apostar no retorno das espécies indígenas aos píncaros da Ilha. Na área de recuperação da biodiversidade próxima do Pico do Areeiro, as flores dos massarocos já perderam os azuis com que nos alegraram em Junho, mas as andríalas e as pequenas armérias ainda continuam a alindar a paisagem.

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No Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha colhem-se as sementes dos gerânios e das estreleiras para novas sementeiras, enquanto começam a florir os isopléxis. Em Agosto e Setembro, as vedetas serão as flores das múchias.

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Isopléxis (Isoplexis sceptrum)

Enquanto não chegam as chuvas para começarmos o novo ciclo de plantação, continuaremos a cuidar das pequenas plantas indígenas, que crescem muito mais lentamente que o monstro espanhol do Areeiro.

Texto e fotos de Raimundo Quintal

4 Comentário(s):

Blogger Farinha escreveu...

Peço desculpa, mas concordo com o radar.
Ainda ontem ao largo dos Açores os agentes do GEO (Grupo Especial de Operaciones de la Policía Nacional) e da Agencia Tributaria do Reino de Espanha apreenderam um veleiro com 1200 Kg de cocaína. O veleiro foi rebocado para as Canárias.
Presentemente não existem meios navais portugueses eficazes no combate ao narcotráfico nos Arquipélagos portugueses da Macaronésia.
Pelo contrário as Canárias, estão dotadas de radar, e de excelentes meios navais.
O radar efectuará um varrimento até cerca de 250 milhas náuticas (463 Km)do ponto onde se encontra, detectando com eficácia qualquer tipo de embarcação. O radar também será dissuasor para os traficantes sem dúvida, este permitirá, entre outros aspectos, conferir maior eficácia a outras missões de interesse público, como a busca e salvamento, a fiscalização das actividades de pesca, o controlo de actividades ilícitas e a protecção do ambiente.
Cumprimentos
Paulo Farinha

18 julho, 2010 16:13  
Blogger Insurgente escreveu...

De facto também concordo com o Paulo Farinha, a instalação deste radar já devia ter sido para antes de ontem, agora relativamente ao impacto na zona, não sei se haveria outras alternativas, se calhar os seria do interesse geral uma sugestão vossa...
Melhores Saudações

19 julho, 2010 19:30  
Anonymous Raimundo Quintal escreveu...

A nossa alternativa é clara.

Desde 2001, ano em que no segredo dos gabinetes começou a ser congeminada a instalação do radar num Sítio da Rede Natura 2000, começámos a trabalhar na recuperação da biodiversidade na área mais alta do Parque Ecológico do Funchal, bem perto do local onde pretendiam implantar o monstro, que irremediavelmente mancha uma paisagem de extraordinária beleza.

Enquanto as flores endémicas regressavam ao Pico do Areeiro, fomos alertando para o impacto negativo, na paisagem e no turismo, da instalação militar e dissemos repetidamente que os 25 milhões de euros gastos ali, dariam para fazer o repovoamento vegetal das serras sobranceiras ao Funchal, essa sim uma obra fundamental para a segurança da população.

19 julho, 2010 22:07  
Blogger Rui Sousa, Madeira Spotters escreveu...

Sem dificuldade, poderíamos arranjar o dinheiro para o repovoamento vegetal das serras em obras muito mais inúteis que por aí se fazem...
Penso que a utilidade do radar é por demais óbvia.

Relativamente aos dinheiros gastos recentemente pelos F-16 e etc, mais uma vez, é uma questão de ter uma visão mais abrangente...
Foi gasto dinheiro? Claro que foi, no entanto, olhando mais além dos aviões a passar para gáudio da população, foi um gigantesco exercício de logística.
Não podemos esperar respostas rápidas a mil e uma situações que nunca foram treinadas ou exercitadas e infelizmente tivemos por cá a prova em como essa prontidão e organização de meios convém estar oleada, aquando do 20 de Março...

20 julho, 2010 00:18  

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